7 de outubro de 2022
FELIPE RANGEL

A “Despentecostalização” dos primeiros frutos

Recentemente eu tive a alegria de ter participado de um culto dominical em uma outra Igreja aqui de minha cidade. Para a mim como fiel foi um momento de renovo e revigoramento espiritual sempre poder ouvir uma palavra bíblica, estruturada, confrontante e onde, como um pentecostal convicto, podemos reaviar nossos corações com a presença do Espírito Santo.

            Mas, passada a euforia do momento de fé, me veio uma reflexão: os filhos dos frutos da primeira colheita do movimento pentecostal no Brasil já não o querem mais. Essa minha internalização vem ao encontro de reflexões teológicas modernas em nosso país.

            O Prof. Kenner Terra, pastor batista, teólogo, professor de filosofia, mestre e doutor em Ciências da Religião, um dos maiores nomes em pentecostalismo da atualidade na academia brasileira, levanta a questão da “despentecostalização” das Igrejas tradicionais dessa vertente em nosso país. Para ele, há um descolamento das raízes por diversos fatores, sejam eles pela mudança do público, das formas de liturgia de culto, etc.

            Esse fator é muito revelador pois para ele (e eu concordo), na busca por um culto mais “ordeiro”, os fieis tem “apagado” o mover espiritual característico do pentecostal, que deixa os hinos históricos, deixa o compartilhamento de testemunhos em público, a utilização de conjuntos/coros por uma liturgia mais refinada e esteticamente mais encantadora.

            Pessoalmente, nada contra essa alteração litúrgica, para mim vejo até mesmo com bons olhos pois o culto deve sim refletir a experiência, o ethos de cada indivíduo, sua época e muito há que se rever em nossas Igrejas, mesmo sendo denominado de tradição. Porém meu ponto é um abandono, de certa forma, por alguns, uma aversão a ação do espírito livre, solta, espontânea, aberta a experiências emocionais, verbais, corporais que são bíblicas (tema de outra coluna futura).

            Dessa forma, Deus derrama sua Graça sobre os demais que buscam. Nossas Igrejas têm descoberto o “dom” do Espírito e mesmo não sendo tradicionais na fé pentecostal tem vivido experiências que a anos não ouvíamos relatos em nossas comunidades de fé. De igual modo, igrejas tradicionais como batistas, presbiterianos, luteranos, anglicanos, metodistas e, por que não, até mesmo católicos tem experimentado por meio da busca do Espírito Santo um mover que é denominado de “carismático”.

            Por isso fiz essa provocação – a despentecostalização dos primeiros frutos – pois estamos em um momento de inflexão importante na Igreja brasileira onde, os que receberam primeiro tem aberto mão, de certa forma até mesmo rejeitado, denominando de “excesso”, de antiquado mas os novos frutos, os frutos posteriores, não primários, tem buscado conhecer, viver, experimentar e tem recebido de Deus a graça de vivenciar as belezas, a força e a bondade do agir pentecostal do Espírito Santo.

Felipe Rangel

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Teólogo e Nutricionista Bacharel em Teologia pelo Centro Universitário São José de Itaperuna – UniFSJ Especialista em Gestão Escolar pelo Instituto Superior de Educação de Itaperuna – Isemi/Funita Presbítero consagrado membro da Assembleia de Deus Min. Madureira em Itaperuna – Congregação da Cehab