7 de outubro de 2022
Missões

A história da igreja que orou sem parar por 100 anos e enviou os primeiros missionários

Há 295 anos, aconteceu um dos maiores avivamentos da história do cristianismo, quando uma pequena congregação de imigrantes na Saxônia, região da Alemanha, recebeu o derramamento do Espírito Santo durante um culto.

No dia 13 de agosto de 1727, na cidade de Herrnhut, a igreja de 300 membros ouviu uma pregação sobre a cruz e o cordeiro de Deus. Enquanto a congregação se preparava para realizar a Santa Ceia, “o Espírito Santo caiu sobre eles”.

Nenhum dos cristãos que foram cheios naquela manhã de quarta-feira soube descrever o que tinham experimentado.

Mas, um deles descreveu que saíram da igreja no final naquele dia “sem saber se pertenciam à Terra ou já haviam ido para o Céu”.

A presença de Jesus foi sentida muito forte por todos os membros da igreja, até dois crentes que não estavam presentes no culto e trabalhavam a 30 km do templo.

Duas semanas depois do derramar do Espírito Santo, que ficou conhecido como

“Pentecostes da Morávia”, a igreja iniciou um relógio de oração de 24 horas, que duraria 100 anos, sem interrupção.

No começo, 24 irmãos participavam e cada um se comproteu a orar uma hora por dia todos os dias da semana.

Com o tempo, o número passou para 77, incluindo crianças, que se revezavam para interceder todos os dias.

Enviando missionários às nações

Foi da pequena comunidade de Herrnhu que saíram os primeiros missionários da Igreja protestante.

Durante os 25 anos após o derramamento do Espírito, 100 trabalhadores foram enviados para pregar o Evangelho em quase todos os países da Europa e em muitas tribos na América do Norte, América do Sul, Ásia e África.

Em 1791, 65 anos depois do início do ministério de oração, a igreja já havia enviado mais de 300 missionários até os confins da Terra.

Isso aconteceu muito antes do “Pai das Missões Modernas”, William Carey, viajar para a Índia em 1793.

Lugar improvável para um avivamento

Aos olhos humanos, a comunidade de Herrnhut era um lugar improvável para viver um avivamento.

A cidade foi criada pelo conde Nicolau Zinzendorf, para refugiar imigrantes cristãos da Boêmia, Morávia e Silésia (atual Tchecoslováquia), que fugiram para a Saxônia a fim de escapar da perseguição da Igreja Católica.

Na época, muitos crentes morávios foram mortos, torturados ou presos por sua fé.

A cidade, que começou como uma vila, ganhou o nome de Herrnhut, que significa “cuidado vigilante do Senhor” ou “proteção do Senhor”.

De 1722 a 1727, a pequena vila de imigrantes cresceu para um total de 220 pessoas, vivendo em 30 casas.

Brigas por diferenças doutrinárias

Porém, os primeiros cinco anos em Herrnhut foram repletos de dissensão, amargura e brigas por diferenças doutrinárias na comunidade formada por batistas, presbiterianos, luteranos, schwenkfelders e morávios.

Em 1727, quando a comunidade estava prestes a se destruir, o conde Nicolau interviu, apaziguando os cristãos e realizando reuniões de oração.

Então, eles paravam de julgar uns aos outros e se arrependeram de suas atitudes. Foi assim, através do dom de reconciliação, que a igreja estava pronta para receber a manifestação do Espírito Santo em 13 de agosto daquele ano.

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